Resposta direta
Consultoria em controladoria jurídica é a contratação de um especialista externo para diagnosticar, desenhar e implantar o controle da operação de um escritório de advocacia: escopo, procedimentos, indicadores e a definição de quem responde por cada rotina.
Ela entrega desenho, método e acompanhamento, e devolve a operação para quem vai sustentá-la. A parte que nenhuma consultoria assume no seu lugar é a cadeira: a controladoria fica no núcleo interno do escritório, e núcleo interno não se aluga.
Neste artigo
- O que faz uma consultoria em controladoria jurídica
- O que a consultoria precisa entregar
- Consultoria, mentoria, controller interno e terceirização
- Como o trabalho acontece, da primeira conversa à entrega
- O que define o tamanho do trabalho
- Sete perguntas para fazer antes de assinar
- Sinais de que a consultoria vai falhar
- Quando você não precisa de consultoria
- Perguntas frequentes
O que faz uma consultoria em controladoria jurídica
Uma consultoria em controladoria jurídica entra no escritório para resolver um problema de operação. O objeto dela é a produção jurídica: como a publicação vira tarefa, quem garante que o prazo foi cumprido, quem confere o protocolo depois de peticionado, quem mantém o cadastro correto e como tudo isso vira número para quem decide.
Vale separar de duas vizinhas que costumam entrar na mesma conversa. A consultoria financeira cuida de receita, custo e margem. A de marketing cuida de captação. A controladoria jurídica controla entrega, e dá para ter as outras duas impecáveis e ainda assim perder prazo.
Em uma frase, o trabalho é este: transformar o que hoje está na cabeça do sócio em procedimento escrito, responsável definido e indicador visível. O guia de controladoria jurídica descreve as três peças em detalhe, e é sobre elas que qualquer proposta séria vai se apoiar.
O que a consultoria precisa entregar
Consultoria que termina em apresentação de slides e plano de ação genérico não instalou nada. Estes são os entregáveis que valem, e todos podem ser exigidos por escrito antes da assinatura:
- O mapa da operação como ela é hoje, incluindo os caminhos paralelos que ninguém admite, como o pedido que corre por fora do sistema porque é mais rápido mandar no grupo.
- O escopo da controladoria por escrito, com o que entra e, principalmente, o que fica de fora.
- Os procedimentos dos fluxos críticos, escritos na linguagem de quem executa e não na de quem vende o projeto.
- A descrição da cadeira: atividades, rotina diária e semanal e indicadores de quem vai responder pela função.
- O desenho das rotinas de acompanhamento, com horário, condutor e pauta.
- O painel inicial, com os números que a operação passa a produzir sem trabalho extra.
- O plano de implantação com data e nome de responsável em cada linha.
Repare que nenhum item da lista é um software. O sistema entra depois, para sustentar o procedimento que foi desenhado, e boa parte dos escritórios descobre no meio do caminho que a ferramenta que já tem resolve. O que faltava era o fluxo e a qualidade do dado que entra nele.
Consultoria, mentoria, controller interno e terceirização
Consultoria, mentoria, controller interno e terceirização disputam o mesmo orçamento, e a escolha depende menos do preço do que de quem vai sustentar a operação depois.
| Caminho | O que resolve | Onde ele falha |
|---|---|---|
| Consultoria | Diagnóstico, desenho e implantação conduzidos por quem já montou a estrutura | Quando termina sem deixar cadeira com nome e rotina rodando |
| Mentoria | Sequência, correção do desenho e cobrança enquanto o escritório executa | Quando o sócio não protege horas para executar entre os encontros |
| Controller interno | A função acontecendo todo dia, com autoridade para cobrar | Quando a pessoa é contratada antes de existir escopo e procedimento |
| Terceirização da controladoria | Alívio imediato de mão de obra | Quando o controle da entrega sai de casa e leva junto o conhecimento da operação |
A última linha merece posição clara, porque é vendida como atalho. A controladoria é o ponto por onde passam a entrada e a saída de todas as tarefas do escritório, e todas as áreas se comunicam com ela. Alugar isso é alugar o núcleo interno da operação. Terceirizar tarefa específica, como diligência ou correspondente, é outra conversa e funciona bem.
“Controladoria jurídica controla entrega, não dinheiro. E o que ela tira do sócio não é a tarefa: é a obrigação de garantir que a tarefa aconteceu.”
Diego Castro, criador do Método Escritório Sob ControleConsultoria e mentoria em controladoria jurídica também não se excluem: a consultoria costuma resolver o desenho mais rápido, e a mentoria é o que fixa o hábito. Em escritório que já tentou se organizar sozinho duas ou três vezes, é a combinação das duas que sustenta.
Como o trabalho acontece, da primeira conversa à entrega
Uma consultoria em controladoria jurídica muda de desenho conforme quem a conduz, mas a ordem das etapas é sempre a mesma, porque cada uma produz o insumo da seguinte. Se a proposta que você recebeu inverte essa ordem, peça a explicação antes de assinar.
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Diagnóstico com os números da operação
Processos ativos, publicações por dia, prazos cumpridos por dia, iniciais protocoladas por mês, e quem executa, quem revisa e quem coordena cada etapa. A queixa do dono quase nunca é o diagnóstico: o que dói raramente é onde quebrou.
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Escopo e desenho da cadeira
O que entra na controladoria, o que fica de fora, e quem vai responder pela função. É nesta etapa que se decide entre formar alguém de dentro, contratar de fora ou o sócio assumir por enquanto, com horário separado.
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Procedimentos dos fluxos críticos
Três fluxos, não trinta: entrada de publicação, cumprimento de prazo e conferência de protocolo. Eles respondem pela maior parte do risco, e o que sobra entra depois, quando o time já estiver rodando os primeiros sem perguntar.
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Instalação das rotinas
A reunião diária curta e a semanal de planejamento. Nenhuma das duas é popular no primeiro mês, e são elas que decidem se o procedimento escrito vira rotina do time ou vira arquivo no Drive.
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Medição e transferência
O painel passa a ser alimentado pelo que o time já registra e a cadeira reporta sem intermediário. Consultoria que não chega até aqui entregou desenho, não estrutura.
O que define o tamanho do trabalho
Uma consultoria em controladoria jurídica muda bastante de tamanho de um escritório para outro, e dá para prever isso antes da primeira conversa. Cinco fatores explicam quase toda a variação:
- O tamanho do time e quantos setores entram no escopo.
- Se já existe alguém para sentar na cadeira ou se a função precisa ser desenhada e recrutada do zero.
- O estado do dado: escritório com cadastro incompleto gasta mais tempo na primeira etapa, porque relatório construído sobre dado ruim mente.
- A intensidade do acompanhamento, que é o que separa um formato do outro.
- A duração, que para a estrutura básica costuma ficar entre 60 e 90 dias.
A conta que costuma decidir não está na proposta, está no custo de continuar como está. Uma tarefa de vinte minutos que acontece todo dia consome quase sete horas por mês, e a hora do sócio custa várias vezes a hora de quem deveria executá-la. Essa diferença é paga todo mês e não aparece em relatório nenhum.
Do outro lado da conta está o risco que se materializa uma vez só e cobra caro. O dano de um prazo perdido é absorvido por uma banca grande e não é absorvido por um escritório de quatro pessoas, onde a mesma falha costuma levar embora o cliente, a indicação seguinte e o nome na comarca.
Nenhum desses cinco fatores se resolve por tabela. Eles se resolvem olhando a sua operação: quantos processos ativos, quantas publicações chegam por dia, quem já está na cadeira e o que já existe escrito. Por isso o passo anterior a qualquer proposta é o diagnóstico, e o desenho do trabalho é conversado depois dele, caso a caso.
Sete perguntas para fazer antes de assinar
Sete perguntas separam o consultor que já implantou controladoria daquele que estudou o assunto. Faça todas na primeira conversa, e anote as respostas.
- Qual estrutura você já montou, e quantos processos ela administra hoje?
- Qual é a ordem das etapas, e o que acontece se pularmos uma?
- Quais entregáveis estarão em mãos no fim, item por item?
- Quem executa cada entrega: você, o meu time ou os dois?
- Como vamos saber que uma etapa terminou, sem depender de sensação?
- O que fica de fora do escopo?
- O que precisa continuar acontecendo aqui depois que você sair?
A sétima é a que mais revela. Quem não consegue descrever o que acontece depois da própria saída está vendendo relatório, e relatório não conserta operação.
Como eu cobro essas respostas de quem contrato, deixo as minhas aqui. Meu nome é Diego Castro, sou advogado inscrito na OAB/PE sob o número 45.016 e sócio-administrador da DCastro Advogados Trabalhistas, em Recife, Pernambuco. A controladoria que montei lá dentro sustenta hoje uma operação de mais de 3.500 processos simultâneos sem que eu faça prazo, audiência ou atendimento. Do que deu certo nesse percurso saiu o Método Escritório Sob Controle, hoje com mais de 700 escritórios reestruturados.
A pergunta que não pode ser pulada: quem senta na cadeira depois?
Quem vai sentar na cadeira da controladoria quando a consultoria terminar? Se a resposta for o sócio, sem data para deixar de ser, o projeto nasce com prazo de validade: a função volta a competir com prazo, audiência e cliente, e perde toda vez. A saída aceitável é o sócio assumir por enquanto, com horário separado e com data para passar a cadeira adiante.
Sinais de que a consultoria vai falhar
Quatro sinais de que uma consultoria em controladoria jurídica vai falhar aparecem cedo, quase sempre antes da assinatura:
- A proposta começa pela ferramenta. Projeto que abre com migração de sistema inverteu a ordem. O sistema registra o que a controladoria já decidiu, e quem inverte termina com uma licença cara que ninguém alimenta.
- O escopo cresce sozinho. Consultoria que aceita absorver financeiro, pessoas e marketing no mesmo pacote vai entregar tudo pela metade. Escopo que engorda no meio do caminho é o jeito mais comum de matar a controladoria antes do terceiro mês.
- Ninguém pediu os seus números. Se a solução foi apresentada antes de alguém perguntar quantas publicações chegam por dia e quantas tarefas estão atrasadas hoje, a solução é a mesma que foi vendida para o escritório anterior.
- O diagnóstico só confirma a sua queixa. Prazo em risco costuma ser publicação que entra sem virar tarefa, e reforçar o time de prazos nesse caso só aumenta o volume que chega quebrado.
Quando você não precisa de consultoria
Nem todo escritório precisa contratar, e dizer isso faz parte de um diagnóstico honesto. Três situações se resolvem por dentro:
O volume ainda cabe na rotina. Escritório de até três pessoas costuma resolver começando pelo controle de prazos, com horário fixo e um responsável, sem projeto e sem consultor. O que não pode faltar é o dono da função.
Já existe a pessoa certa dentro de casa. Quando alguém do time é organizado e conhece o fluxo de ponta a ponta, o que falta costuma ser escopo escrito e autoridade para cobrar. Isso é decisão do sócio, e não compra.
O problema está uma etapa antes. Se ninguém consegue dizer de qual setor é cada tarefa, o passo anterior é organizar o escritório de advocacia. Controladoria montada sobre operação não setorizada vira cobrança pessoal, que é exatamente o que cansa o sócio e afasta o time.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre consultoria e mentoria em controladoria jurídica?
A consultoria conduz o trabalho: diagnostica, desenha e implanta dentro da realidade do escritório. A mentoria acompanha enquanto o próprio escritório executa, com sequência, correção e cobrança entre os encontros. A consultoria costuma resolver o desenho mais rápido; a mentoria fixa o hábito, que é a parte que decide se a estrutura sobrevive ao terceiro mês.
Quanto tempo leva uma consultoria em controladoria jurídica?
A estrutura básica leva de 60 a 90 dias: escopo definido, responsável identificado, procedimentos escritos e rotina de conferência rodando. Escritórios com cadastro desorganizado gastam mais tempo na primeira etapa, porque o dado precisa ficar confiável antes de virar indicador. Ampliar o escopo no meio do caminho é o que mais empurra esse prazo para a frente.
Vale a pena terceirizar a controladoria jurídica?
Para tarefas específicas, como diligência e correspondente, terceirizar funciona e é comum. Para a função de controle, não recomendo. A controladoria é o ponto por onde entram e saem todas as tarefas do escritório e faz parte do núcleo interno. Quando ela sai de casa, o escritório passa a depender de um fornecedor para saber o que está parado dentro da própria operação.
A consultoria funciona em escritório de qualquer área do Direito?
Sim. O que muda entre áreas é o conteúdo técnico do trabalho, não a estrutura de controle. Prazo, distribuição de tarefa, conferência de protocolo e qualidade de cadastro existem em qualquer área, e é sobre isso que a controladoria atua. O que muda de verdade é o volume e o ritmo de entrada de cada tipo de operação.
Quem assina este guia de consultoria em controladoria jurídica?
Diego Castro, advogado há mais de 14 anos (OAB/PE 45.016), sócio-administrador na DCastro Advogados Trabalhistas, em Recife, Pernambuco, e criador do Método Escritório Sob Controle. Ele assumiu a controladoria e reestruturou a gestão do próprio escritório antes de ensinar o caminho, e conduz o trabalho em três formatos: a imersão presencial de dois dias, o MESC+, que é a aceleração em turma, com quatro meses online, encontro ao vivo e cobrança entre um encontro e outro, e o MESC Inside, em que ele e a equipe instalam a estrutura dentro do escritório.
Preciso trocar de software para implantar a controladoria?
Na maioria das vezes, não. O procedimento vem primeiro e a ferramenta depois, para sustentar o que foi desenhado. Muitos escritórios descobrem que o sistema que já têm resolve, e que o problema estava no fluxo e na qualidade do dado que entra. Sistema caro com cadastro mal preenchido funciona como uma planilha cara.
Quer o diagnóstico antes de contratar qualquer coisa?
O diagnóstico mapeia a sua operação e mostra o que precisa existir antes de contratar consultoria, mentoria ou uma pessoa nova para a cadeira.
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