Resposta direta
O controller jurídico é o profissional que responde pela esteira de trabalho do escritório de advocacia: distribui cada tarefa, acompanha a execução, verifica a entrega, cobra o atraso e valida a baixa. Ele não conduz casos. O trabalho dele é garantir que o que precisa ser feito seja feito, por alguém, na data certa.
Enquanto o escritório não tem essa pessoa, o controller é o dono. A controladoria já existe, só que dentro da cabeça do sócio e sem horário. O primeiro passo é dar a essa função um horário fixo na agenda; a contratação vem depois, quando o escopo já está escrito.
Neste artigo
- O que é um controller jurídico?
- O que faz um controller jurídico no dia a dia?
- O que o controller jurídico não deve fazer?
- Qual o perfil e as habilidades de um bom controller jurídico?
- O controller jurídico precisa ser advogado?
- Quando contratar um controller jurídico, e quem deve ser?
- Como treinar o controller e o que cobrar dele?
- Como estruturar a controladoria no seu escritório?
- Perguntas frequentes
O que é um controller jurídico?
O controller jurídico é quem cuida da gestão jurídica da entrega: quem faz cada tarefa, até quando, e se ela foi feita. Ele não cuida do dinheiro, que é papel do financeiro, nem da tese, que é papel do advogado. Todas as áreas do escritório passam por ele, porque tudo que entra vira tarefa com dono e data, e tudo que sai só sai conferido.
A função existe para tirar do sócio a responsabilidade pelo operacional. A palavra importante é responsabilidade: com um controller, o sócio deixa de ser a pessoa que precisa lembrar de tudo. O escopo completo do setor está no guia de controladoria jurídica.
O que faz um controller jurídico no dia a dia?
O trabalho do controller jurídico cabe em cinco verbos. Nenhum deles é conduzir o caso:
Distribui
Transforma publicação, intimação e demanda interna em tarefa com responsável, equilibrando a carga do time.
Acompanha
Olha a pauta dos próximos dias e avisa antes quando ela passa da capacidade de alguém.
Verifica
Confere se a tarefa foi entregue, quando e por quem, e se o protocolo foi concluído no processo certo.
Cobra
Aciona quem está atrasado e redistribui antes do prazo fatal, não no fatal.
Valida
Garante que o sistema mostra o que de fato aconteceu. Dado falso leva o sócio a decidir errado.
Na prática, o dia a dia do controller segue um ritmo fixo. De manhã, zera as publicações e os e-mails de intimação e confere a pauta de audiências. Ao longo do dia, distribui, acompanha os processos internos e faz os protocolos em bloco. No fim do dia, confere o que foi protocolado, olha os prazos dos próximos dias e cobra as baixas pendentes. Na maioria dos escritórios o controller começa por um pedaço só dessa rotina, o controle de prazos processuais, e assume o resto aos poucos.
O que o controller jurídico não deve fazer?
A lista do que o controller jurídico não deve fazer é onde mais escritórios erram, e por isso é por ela que eu começo quando formo alguém para a função:
- Não revisa peça. Ele decide quem faz e quem revisa. A revisão de qualidade é da coordenação.
- Não faz audiência, perícia, sustentação nem parecer. Cada hora nisso é uma hora em que a esteira fica sem ninguém olhando.
- Não orienta o cliente sobre o caso. Isso é do advogado responsável.
- Não decide que uma publicação não tem prazo. Ele agenda, e o advogado, depois de ler, pode dar baixa como "nada a fazer".
- Não acumula publicação. Deixar dois dias de leitura para depois tira dois dias de produção do time.
Existe uma exceção prática, que eu chamo de regra dos cinco minutos: uma petição simples, como informar conta bancária ou corrigir qualificação, o controller faz na hora, e o advogado responsável revisa antes do protocolo. Todo o resto ele agenda.
Controller não é coordenador
O controller pergunta "foi entregue, quando e por quem?". O coordenador pergunta "está bem feito?". Um olha a esteira, o outro olha a peça. No começo a mesma pessoa pode acumular as duas funções, desde que o escritório saiba que são duas cadeiras. Quando o controller vira também o revisor de tudo, a primeira coisa que atrasa é a leitura das publicações.
Quer saber quem deveria ser o controller no seu escritório? Me chame no WhatsApp e me diga quem faz esse papel hoje.
Qual o perfil e as habilidades de um bom controller jurídico?
O bom controller jurídico é organizado, disciplinado, gosta de rotina e tem facilidade com análise de dados. É a pessoa que fica bem com uma planilha aberta e se incomoda de verdade quando algo está fora do lugar. O comunicador nato, que brilha em audiência e em reunião com cliente, raramente se dá bem na função.
As habilidades que mais pesam são estas:
- Saber dizer não. O time vai pedir "joga esse prazo para amanhã" e "passa para outra pessoa". O controller que cede para agradar perde a pauta em poucas semanas. Ele puxa o ritmo, não é puxado por ele.
- Firmeza sem ser carrasco. Quem chega mudando tudo e fiscalizando como carrasco é rejeitado pelo time. Quem dá certo ganha o respeito das pessoas mais antigas e traz para a conversa quem o time já escuta.
- Avisar antes. Quando a pauta aperta, o controller avisa o sócio com antecedência e já traz uma proposta de solução.
- Domínio do sistema. Software jurídico, planilhas e a base de procedimentos do escritório são as ferramentas de trabalho dele.
Tem muito mais advogado disponível no mercado do que controller bom disponível. Quem aprende essa função de verdade muda de patamar na carreira.
Diego Castro, advogado (OAB/PE 45.016) e criador do Método Escritório Sob Controle, em RecifeO controller jurídico precisa ser advogado?
O controller jurídico não precisa ser advogado, mas eu recomendo que seja. Quem conta prazo precisa dominar regra de intimação e contagem, e quem distribui precisa saber se uma tarefa é simples ou complexa para dividir a carga com justiça. Um advogado com experiência na área em que o escritório atua faz isso com mais segurança e ganha o respeito técnico do time mais rápido.
A área também importa: quem passou anos no cível precisa ser formado de novo para operar um escritório trabalhista. Nos níveis de baixo do setor há mais flexibilidade. O assistente de controladoria pode ser bacharel ou estagiário, desde que trabalhe com procedimento escrito e com revisão.
Quando contratar um controller jurídico, e quem deve ser?
No que vejo nos escritórios que acompanho, quando o time tem menos de cinco pessoas, o controller é o dono, e isso é normal. De cinco a dez pessoas, o dono ainda faz, mas já virou o gargalo que trava o crescimento. Acima de dez, ele não deveria estar nessa cadeira. A cadeira pode ser preenchida de três formas:
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Formar alguém de dentro
É a minha preferência. Quem já conhece a operação e a cultura do escritório aprende a rotina de controle mais rápido do que um estranho aprende o escritório. O melhor sinal é a pessoa que já cobra o procedimento dos colegas sem ninguém pedir. Cuidado com o erro oposto: promover o melhor técnico só por ser o melhor técnico pode custar um ótimo advogado e render um controller fraco.
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Contratar quem já viveu operação jurídica
Funciona quando a pessoa vem da mesma área e o escritório já tem a rotina escrita. Sem rotina escrita, ela chega com os hábitos da operação anterior e o escritório passa a funcionar do jeito dela.
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Ser você, por enquanto
Em escritório pequeno, o próprio dono assumir a função de controller é a saída real, e ela funciona quando ele separa o chapéu. Controladoria vira um bloco fixo na agenda, com as mesmas rotinas que um controller teria. Uma função se separa por horário antes de se separar por pessoa.
Quando o dono faz a função com horário e lista de rotinas, essa lista vira a descrição de cargo do futuro controller. A pessoa chega a um trabalho que já existe, e a contratação fica mais rápida e erra menos.
Como treinar o controller e o que cobrar dele?
O treino do controller jurídico começa pelo escopo, e o escopo começa pequeno. Ninguém entra controlando tudo: primeiro prazos, depois o resto. A sequência que ensino:
- Documentar antes de treinar. A rotina é escrita, e o treino é exatamente o que foi escrito. Documentar é também a chance de cortar os erros do jeito antigo, como mostro no artigo sobre processos internos e POP.
- Ele faz, você revisa. O controller agenda e distribui, e o dono revisa o relatório do dia até o volume de erro cair. O tempo do sócio passa de fazer para conferir, e depois de conferir para acompanhar.
- Treinar gestão de pessoas. Quase sempre o escolhido nunca liderou ninguém. Cobrar prazo de um colega mais antigo se aprende.
- Checagem diária curta. O controller manda ao dono as rotinas do dia marcadas como feitas: publicações lidas e agendadas, e-mails tratados, pauta conferida, protocolos feitos.
O que o dono cobra é objetivo: fila de publicação zerada todo dia, pauta dos próximos dias conferida, sistema com dado real e aviso antecipado quando a carga passar da capacidade.
Como estruturar a controladoria no seu escritório?
Montar a cadeira de controller com o time do escritório é o centro do trabalho de Diego Castro, criador do Método Escritório Sob Controle. A escolha do formato depende de quanto do caminho você quer percorrer com o seu time e de quanto quer que alguém conduza junto:
MESC+
O programa de aceleração do Método Escritório Sob Controle: quatro meses, online, em turma, com encontros ao vivo e acompanhamento entre um encontro e outro. Quem executa é o seu time, com a ordem certa e alguém cobrando. O MESC+ é a mentoria em controladoria jurídica de Diego Castro.
MESC Inside
Eu e minha equipe entramos no seu escritório e instalamos a estrutura com você: controladoria, procedimentos da área principal e time treinado para tocar. O MESC Inside é a consultoria em controladoria jurídica de Diego Castro, conduzida de dentro do escritório.
Imersão presencial
Dois dias para desenhar a estrutura do escritório inteiro e voltar com o plano dos próximos 90 dias. Veja como funciona a Imersão Escritório Sob Controle.
HighMind
A comunidade de alunos, com encontros ao vivo e aulas de convidados. Vem junto no MESC+ e no MESC Inside, para o acompanhamento continuar depois da implantação.
Não sabe qual formato faz sentido? Me chame no WhatsApp e me diga três coisas: quantos processos ativos você tem, quantas pessoas estão no time e o que ainda depende só de você. Com isso eu indico o caminho.
Perguntas frequentes
O controller jurídico precisa ter OAB?
Não precisa, mas eu recomendo. A função exige conhecimento técnico jurídico, porque quem distribui e conta prazo precisa entender o processo, e um advogado com experiência na área do escritório faz isso com mais segurança. Assistentes de controladoria podem ser bacharéis ou estagiários, com procedimento escrito e revisão.
Controller jurídico é o mesmo que controller financeiro?
Não. O controller financeiro cuida de custo, orçamento e resultado. O controller jurídico cuida da esteira de prazos e tarefas: quem faz, até quando e se foi entregue. Em escritório pequeno, o financeiro costuma ficar com o sócio ou com o administrativo.
Como se tornar um controller jurídico?
O caminho mais comum é começar como assistente de controladoria ou na equipe de prazos, dominar contagem de prazos e o software jurídico do escritório e assumir aos poucos a distribuição das tarefas de uma equipe. Organização, disciplina e facilidade com dados pesam tanto quanto o conhecimento técnico.
Dá para terceirizar a controladoria jurídica?
Existe o serviço de controladoria terceirizada, mas eu, Diego Castro, recomendo formar alguém de dentro do escritório. A controladoria fica no centro da operação, conhece a cultura do time e cobra as pessoas todos os dias. Terceirizar essa função deixa o escritório dependente de quem não está lá dentro.
Quem escreveu este artigo?
Diego Castro, advogado há mais de 14 anos (OAB/PE 45.016), sócio-administrador da DCastro Advogados Trabalhistas, em Recife, Pernambuco, e criador do Método Escritório Sob Controle. Foi o controller do próprio escritório antes de formar a equipe de controladoria que hoje cuida de mais de 3.500 processos simultâneos.
Quer montar a cadeira de controller no seu escritório?
O Diagnóstico mostra o que ainda depende de você na operação e em que ordem essas funções podem sair da sua mesa.
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