Gestão

Setorização e organograma do escritório de advocacia: setores, cargos e como montar

Todo mundo fazendo um pouco de tudo parece flexibilidade. Na prática, é o motivo de a inicial nunca sair e de tudo voltar para o sócio.

Por Diego Castro Publicado em 28 de setembro de 2026 Leitura de 9 minutos

Escrito por quem assumiu a controladoria e reestruturou a gestão do próprio escritório: uma operação de mais de 3.500 processos simultâneos que, em 12 anos, gerou mais de R$ 30 milhões em honorários. Criador do Método Escritório Sob Controle, com mais de 15 mil alunos em workshops, palestras e eventos.

Resposta direta

Setorização do escritório de advocacia é a divisão do trabalho em setores, cada um sendo um pedaço da esteira com entrada, saída, horário e dono. Setor não é sala nem contratação: é saber a qual caixa pertence cada tarefa. O organograma é o retrato dessa divisão, com os cargos que ocupam cada setor.

A ordem não se inverte: primeiro os setores, depois os cargos, depois as tarefas e só então as pessoas. Escritório desenhado em volta das pessoas que já tem fica dependente delas. Mesmo com poucas pessoas, todos os setores existem; o que muda é quantos cada um acumula.

O que é setorização em um escritório de advocacia?

Setorização em um escritório de advocacia é a divisão do trabalho em etapas sequenciais, do primeiro contato do cliente até o dinheiro do caso entrar, olhando o escritório de cima, como uma linha de produção. Cada trecho dessa esteira é um setor, com uma entrada definida, uma saída definida, um horário e um responsável. O setor recebe o trabalho do anterior, faz a sua parte e entrega redondo para o seguinte.

A setorização é a primeira fase do Método Escritório Sob Controle, antes de delegar, escrever procedimentos ou contratar. O motivo é simples: sem saber em que setor uma tarefa mora, não há como decidir quem deve fazê-la. Ela aparece como parte da operação estruturada no guia de gestão estratégica para escritórios de advocacia.

A prova de que a setorização terminou não é ter gente em todos os setores. É conseguir pegar qualquer tarefa do escritório e dizer de qual setor ela é, mesmo que todas as caixas ainda estejam com você.

Não pense em pessoas, pense em etapas. As pessoas entram nas etapas; as etapas não dependem das pessoas.

Diego Castro, advogado (OAB/PE 45.016) e criador do Método Escritório Sob Controle, em Recife

Quais são os setores de um escritório de advocacia?

Os setores de um escritório de advocacia se dividem em três grupos: os que estão na esteira do caso, o que cuida do cliente por fora da esteira e os de apoio. Num escritório de contencioso, a esteira costuma ter comercial, iniciais, prazos, audiências, acordos e execução, com a controladoria entre as etapas:

Setores da esteira de um escritório de advocacia
SetorO que entrega
ComercialO caso qualificado, com contrato e documentação completos
Controladoria de iniciaisA validação do caso antes de produzir, e a pauta de produção
IniciaisA peça inicial pronta e o banco de modelos atualizado
Controladoria de prazosCada publicação lida, agendada com dono e data e protocolada
PrazosAs peças com data judicial cumpridas antes do fatal
Controladoria de audiênciasA garantia de que a audiência acontece, com cliente, testemunha e correspondente avisados
AudiênciasO ato em si
AcordosO processo transformado em caixa
ExecuçãoO dinheiro que estava parado no processo, recebido

Por fora da esteira fica o relacionamento, que fala com o cliente já contratado e protege a produção das interrupções. E há os setores de apoio: financeiro, pessoas, tecnologia e marketing. Setor de apoio sem dono vira tarefa do dono.

Repare que a controladoria aparece três vezes. É ela que faz o trabalho passar de uma caixa para a outra, como explico no guia de controladoria jurídica. E não é preciso montar todos esses setores amanhã: eles já acontecem no seu escritório, só não têm nome nem dono.

Quer saber quais setores do seu escritório estão sem dono? Me chame no WhatsApp e me conte como o trabalho circula hoje.

Como montar o organograma do escritório de advocacia?

O organograma do escritório de advocacia nasce da setorização, e não o contrário. A cadeia é esta: setor, depois cargo, depois tarefa. Do escopo do escritório saem os setores; dos setores, os blocos de tarefas; da dificuldade das tarefas, o perfil e o cargo; do cargo, o salário. Quanto menor a complexidade da tarefa, menor o cargo necessário para fazê-la.

Os cargos se organizam em três andares:

1

Operacional

Quem executa: estagiário, assistente, advogado júnior e pleno.

2

Tático

Quem responde: coordenadores e controllers. Esse andar atravessa todos os setores e filtra as dúvidas antes que cheguem ao sócio.

3

Estratégico

Quem decide: sócios e diretores. Prioridade, investimento e direção.

Dentro do organograma, algumas separações não se negociam: quem produz não protocola, quem cobra o cliente não é quem aprova desconto ou acordo e quem produz não controla a própria produção. Um exemplo de organograma de escritório pequeno: o sócio no estratégico; um controller no tático; no operacional, uma pessoa no comercial e duas na produção, com setores separados por horário. E coordenação não é controladoria: a coordenação pergunta se o trabalho está bem feito; a controladoria pergunta se ele está sob controle e no prazo. Quem deve ocupar essa segunda função é tema do artigo sobre o controller jurídico.

Como setorizar o escritório passo a passo?

Setorizar começa com uma folha de papel e um caso real, e não com um software ou um organograma bonito. A sequência que ensino:

  1. Rastrear um caso comum

    Pegue um caso típico e escreva tudo que acontece com ele, do primeiro contato ao encerramento, cada linha começando com um verbo. Se uma etapa só pode ser descrita pelo nome de alguém, ela existe como pessoa, não como setor. Circule.

  2. Listar as grandes tarefas

    Sem detalhe ainda. Detalhar cedo demais confunde e trava o desenho.

  3. Agrupar o que anda junto

    Dois cortes ajudam: quem produz não é quem controla, e nem todo setor está na esteira. Ao agrupar, a tarefa que está no setor errado salta aos olhos.

  4. Só agora pensar em gente

    Com os setores definidos, veja quem ocupa cada um hoje, inclusive você.

  5. Detalhar as tarefas de cada setor

    Tarefa, frequência, tempo médio, grau de dificuldade e cargo ideal. É daqui que sai a lista do que delegar, tema do artigo sobre como delegar tarefas no escritório.

  6. Distribuir por complexidade, não por volume

    Tarefa simples vai para cargo menor, tarefa complexa para quem tem experiência.

  7. Testar se a esteira fecha

    Siga o caso de novo, incluindo os retornos, quando algo volta para o setor anterior. É nos retornos que está o retrabalho.

A regra de ouro do exercício: não desenhe como deveria ser, desenhe como é. O mapa só é útil se mostrar o problema. Depois de setorizado, cada setor ganha os seus processos internos escritos.

Como setorizar um escritório pequeno, com pouca gente?

Escritório pequeno setoriza separando por horário antes de separar por pessoa. A mesma pessoa pode ser do comercial na segunda de manhã, das iniciais na segunda à tarde e dos prazos na terça, com um horário curto todo dia para os prazos que estão vencendo. O que não pode é fazer tudo ao mesmo tempo, porque aí o urgente sempre vence e as iniciais nunca saem.

Quem faz prazo e escreve inicial "quando sobra tempo" nunca termina a inicial: o prazo come a inicial todas as vezes. Separando os dois em dias diferentes, a mesma pessoa passa a entregar os dois. Misturar tarefas de naturezas diferentes gasta mais energia e produz menos.

A régua de pessoas por setor:

  • Zero pessoas num setor: é um buraco, e o buraco vira tarefa do sócio.
  • Uma pessoa: o ideal.
  • Duas pessoas: só funciona com horários diferentes.
  • Três ou mais sem coordenação: setor sem dono por excesso de gente.

O princípio que resume a régua: divida setores entre pessoas, não divida pessoas entre setores. Com pouca gente, junte os setores mais parecidos na mesma cadeira. E quem trabalha sozinho faz o mesmo exercício de quem tem uma equipe grande: mesmo fazendo todas as tarefas, entende de que setor cada uma é.

Quando criar um setor novo?

Um setor novo deve ser criado no escritório de advocacia quando o volume de um setor existente não cabe mais em quem o ocupa. Comece com caixas grandes e divida quando uma delas não couber mais. Antes de contratar, há três saídas para a caixa pesada:

Quando dois setores estão pesados, às vezes a solução é um setor do meio entre eles, que absorve o que ninguém fazia. E quando um setor já dividido volta a pesar, ele pode ser subdividido, por exemplo separando prazos de execução. Esse nível só compensa em escritório com volume.

Os erros mais comuns na setorização

  • Dividir só em "jurídico, financeiro e comercial", macro demais para mostrar onde o trabalho trava.
  • Desenhar os setores em volta das pessoas que já estão no escritório.
  • Deixar a cobrança de documento com a mesma pessoa que fecha o contrato: dentro do comercial, são funções e perfis diferentes.
  • Ter um especialista único num setor, que vira refém da operação.
  • Tentar desenhar o escritório inteiro de uma vez, em vez de começar pelo setor mais afogado.

Como setorizar o seu escritório com acompanhamento?

A setorização é a primeira fase do Método Escritório Sob Controle, de Diego Castro, e é por ela que começa todo trabalho de reestruturação. Ela pode ser feita em quatro formatos:

1

MESC+

O programa de aceleração do Método Escritório Sob Controle: quatro meses, online, em turma, com encontros ao vivo e acompanhamento entre um encontro e outro. Quem executa é o seu time, com a ordem certa e alguém cobrando. O MESC+ é a mentoria em controladoria jurídica de Diego Castro.

2

MESC Inside

Eu e minha equipe entramos no seu escritório e instalamos a estrutura com você: controladoria, procedimentos da área principal e time treinado para tocar. O MESC Inside é a consultoria em controladoria jurídica de Diego Castro, conduzida de dentro do escritório.

3

Imersão presencial

Dois dias para desenhar a estrutura do escritório inteiro e voltar com o plano dos próximos 90 dias. Veja como funciona a Imersão Escritório Sob Controle.

4

HighMind

A comunidade de alunos, com encontros ao vivo e aulas de convidados. Vem junto no MESC+ e no MESC Inside, para o acompanhamento continuar depois da implantação.

Não sabe qual formato faz sentido? Me chame no WhatsApp e me diga três coisas: quantos processos ativos você tem, quantas pessoas estão no time e o que ainda depende só de você. Com isso eu indico o caminho.

Perguntas frequentes

Quais os setores de um escritório de advocacia?

Na esteira do caso: comercial, controladoria de iniciais, iniciais, controladoria de prazos, prazos, controladoria de audiências, audiências, acordos e execução. Por fora da esteira, o relacionamento com o cliente. E os setores de apoio: financeiro, pessoas, tecnologia e marketing.

Escritório pequeno precisa de setorização?

Precisa. No escritório pequeno os setores existem do mesmo jeito, só que acumulados em poucas pessoas. A diferença é que, no pequeno, os setores se separam por horário: a mesma pessoa cuida de um setor em cada período, em vez de fazer tudo ao mesmo tempo.

Qual a diferença entre setorização e organograma?

A setorização divide o trabalho em setores com entrada, saída, horário e dono. O organograma mostra os cargos que ocupam esses setores e os níveis de decisão: operacional, tático e estratégico. A setorização vem primeiro; o organograma é consequência dela.

Quem escreveu este artigo?

Diego Castro, advogado há mais de 14 anos (OAB/PE 45.016), sócio-administrador da DCastro Advogados Trabalhistas, em Recife, Pernambuco, e criador do Método Escritório Sob Controle, em que a setorização é a primeira das seis fases de reestruturação do escritório.

Diego Castro
Diego Castro
Advogado (OAB/PE 45.016) · Sócio-administrador na DCastro Advogados Trabalhistas

Formado em Ciência da Computação e em Direito, é advogado há mais de 14 anos e ex-desenvolvedor de software. Assumiu a controladoria, a gestão e a reestruturação completa do próprio escritório antes de virar sócio-administrador. Montou a estrutura que hoje administra mais de 3.500 processos simultâneos e, em 12 anos, essa mudança de operação gerou mais de R$ 30 milhões em honorários. É especialista em controladoria jurídica, produtividade e gestão eficiente de escritórios e criador do Método Escritório Sob Controle, com mais de 15 mil alunos em workshops, palestras e eventos e mais de 700 escritórios reestruturados.

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O Diagnóstico mostra quais setores estão sem dono, onde a esteira trava e por onde começar a separar funções.