Gestão

Gestão de pessoas no escritório de advocacia: contratar, treinar, acompanhar e reter a equipe

Tudo passa por você, ninguém faz do seu jeito e quem você treinou vai embora. Quase sempre falta regra para o cargo, e não gente boa.

Por Diego Castro Publicado em 1 de outubro de 2026 Leitura de 11 minutos

Escrito por quem assumiu a controladoria e reestruturou a gestão do próprio escritório: uma operação de mais de 3.500 processos simultâneos que, em 12 anos, gerou mais de R$ 30 milhões em honorários. Criador do Método Escritório Sob Controle, com mais de 15 mil alunos em workshops, palestras e eventos.

Resposta direta

Gestão de pessoas no escritório de advocacia é o conjunto de rotinas para contratar, treinar, acompanhar e reter a equipe a partir dos cargos que o escritório precisa, e não das pessoas que ele já tem. Ela começa no desenho de setores e cargos, passa por treinamento com procedimento escrito e se sustenta em reuniões curtas e indicadores.

Quando a gestão de pessoas na advocacia falta, os sintomas são conhecidos: tudo passa pelo sócio, ninguém faz do jeito dele e quem foi treinado vai embora levando o que aprendeu. A ordem que funciona é setor, cargo, tarefa e só então a pessoa.

O que é gestão de pessoas no escritório de advocacia?

Gestão de pessoas no escritório de advocacia é a forma como o escritório escolhe, prepara, acompanha e desenvolve quem trabalha nele, com regras que valem para qualquer pessoa que ocupe o mesmo cargo.

Imagine um escritório com seis pessoas em que o sócio responde dezenas de perguntas por dia no WhatsApp: qual modelo usar, quem pega a audiência de amanhã. Cada pergunta é pequena; somadas, prendem o sócio na operação. Falta que cada um saiba o que a própria cadeira entrega.

Para quem pergunta como gerir equipe no escritório, a regra que eu ensino é olhar o cargo antes da pessoa, nesta ordem:

  1. Setor: qual pedaço da esteira do caso precisa de dono.
  2. Cargo: qual nível de decisão esse pedaço exige e quanto ele custa.
  3. Tarefa: o que se faz no cargo, com que frequência e com que complexidade.
  4. Pessoa: quem tem o perfil para aquelas tarefas.

Escritório montado em volta de quem já está lá fica refém dessas pessoas: quando uma sai, o cargo sai junto. O desenho dos setores e cargos está no artigo sobre setorização e organograma do escritório. No Método Escritório Sob Controle, criado por Diego Castro, mentor de escritórios de advocacia, a gestão de pessoas vem depois da setorização e da delegação. O time é um dos quatro sistemas do guia de gestão estratégica para escritórios de advocacia.

Tudo no seu escritório ainda passa por você? Me chame no WhatsApp e me conte como a sua equipe está dividida hoje.

Como contratar pelo cargo, e não pelo currículo?

Contratar pelo cargo é definir, antes de anunciar a vaga, qual setor a pessoa vai ocupar, quais tarefas vai fazer e qual perfil essas tarefas pedem. Sem isso, a vaga vira "procura-se advogado que faça tudo", e o escritório escolhe o currículo mais bonito em vez do perfil certo.

O mesmo cargo de estagiário pede perfis diferentes conforme o setor:

Perfil de contratação por setor do escritório
SetorPerfil que costuma funcionar
IniciaisInvestigativo, boa redação, visão crítica, gosta de pesquisar tese e jurisprudência
Relacionamento com o clientePaciência com cliente difícil e boa comunicação. Quem veio de atendimento ou vendas se sai bem, mesmo sem saber direito
Triagem e documentaçãoMetódico, organizado, atento ao detalhe
ControladoriaDisciplinado, analítico, firme para cobrar e para dizer não

Primeiro o comportamento, depois a técnica. A técnica eu treino em poucas semanas; o comportamento quase não muda.

Diego Castro, advogado (OAB/PE 45.016) e criador do Método Escritório Sob Controle, em Recife

No processo seletivo, cinco regras:

Na forma de contratação, cumpra a legislação e as regras da OAB aplicáveis a cada caso.

Como fazer o treinamento de equipe no escritório?

Treinamento de equipe no escritório de advocacia é a passagem do jeito de fazer da casa para quem chega, com procedimento escrito, prática guiada e acompanhamento próximo nas primeiras semanas. Treinar só de boca funciona até a terceira pessoa; depois, cada um aprende uma versão diferente.

Quem diz "eu treino e a pessoa sai" quase sempre treina sem material: quando a pessoa vai embora, o treinamento vai junto. A integração que funciona tem cinco momentos:

  1. Antes do primeiro dia

    Acessos criados em nome do escritório (e-mail, sistema, pastas), para que nada fique preso à pessoa se ela sair, e uma apresentação com o organograma e a quem recorrer.

  2. Primeira semana: o procedimento do cargo

    Ler, ver alguém executando, executar junto. O procedimento mora no repositório do escritório, como mostro no artigo sobre o manual de procedimentos.

  3. Poucas tarefas no começo

    Melhor duas tarefas bem feitas do que dez com erro. Quem domina pouco rápido pergunta menos e logo ensina o próximo.

  4. Conferência de toda entrega

    Nas primeiras semanas, tudo é conferido. Conforme a qualidade aparece, a conferência passa a ser por amostragem.

  5. Conversa de fechamento da experiência

    Ao fim da experiência, uma conversa sobre comportamento e técnica, nos dois sentidos.

Treine no expediente, grave os treinamentos e dê a quem quer subir o dever de formar quem vem embaixo. Toda dúvida que se repete no treinamento é sinal de que o procedimento precisa ser revisto; procedimento bom é revisado com frequência, como explico no artigo sobre processos internos e POP.

Como acompanhar a equipe com reuniões, indicadores e feedback?

Acompanhar a equipe do escritório de advocacia exige três encontros com funções diferentes: uma reunião diária curta, uma reunião semanal com indicadores e uma conversa individual periódica. Fora desses encontros, a equipe trabalha sem interromper o sócio a cada dúvida.

Rotina de reuniões da equipe do escritório
EncontroQuandoPara que serve
Reunião diáriaPoucos minutos, todo dia, no mesmo horárioO que vence hoje, o que travou e quem destrava
Reunião semanal de equipeUma vez por semana, com pauta fixaIndicadores do setor, o que atrasou e o plano da semana seguinte
Conversa individualPeriódica, com cada pessoaDesempenho, dificuldades, próximo degrau e o que a pessoa tem a dizer

A reunião semanal trabalha em ciclo curto e, sem número, vira reunião de opinião. Cada setor precisa de um ou dois indicadores de entrega: nas iniciais, peças prontas no prazo combinado e quantas voltaram para correção; nos prazos, prazos cumpridos e tarefas atrasadas por responsável; no relacionamento, o tempo de resposta ao cliente. Como escolher esses números está no artigo sobre indicadores do escritório de advocacia, e a rotina individual que conversa com essa cadência está no guia de produtividade para advogados.

O feedback que funciona é específico e perto do fato: o que aconteceu, o efeito e o que muda. Comportamento e técnica separados, e a outra parte ouvida: às vezes o atraso veio do caso incompleto do setor anterior. Reconheça em público, corrija em particular.

A queixa "ninguém faz do meu jeito" tem uma causa simples: o jeito do sócio só existe na cabeça dele. Escrito no procedimento, ele vira régua, e o feedback deixa de ser gosto pessoal. Quando o time cresce, quem conduz a reunião diária e acompanha os indicadores deixa de ser o sócio e passa a ser o controller jurídico.

Como montar um plano de carreira no escritório de advocacia?

Plano de carreira no escritório de advocacia é a descrição de como alguém passa de um cargo para outro e do que precisa demonstrar para isso. Os cargos se organizam em três níveis:

1

Operacional

Executa as tarefas do setor: estagiário, assistente, advogado em formação.

2

Tático

Coordena e controla: distribui, treina, cobra rotina e cria procedimento.

3

Estratégico

Decide: prioridades, investimento e para onde o escritório vai.

Dentro de cada nível, a maturidade aparece na forma de lidar com um problema: quem começa traz só o problema; quem amadureceu traz o problema e duas saídas; quem está pronto para subir traz o problema resolvido e uma melhoria no procedimento. Escrever esses marcos por cargo transforma "um dia você cresce aqui" em caminho visível.

A passagem do operacional para o tático pede teste antes do crachá. Tire parte da pauta da pessoa e dê a ela, por um período, uma responsabilidade de gestão: conduzir a reunião diária ou treinar quem chegou. Promover sem testar pode custar um excelente executor e render um coordenador fraco. E nem todo mundo quer liderar: crescer como especialista também é carreira.

O que fazer quando alguém da equipe não rende?

Quando alguém da equipe não rende, o primeiro passo é diagnosticar a causa antes de trocar a pessoa. O problema pode estar no processo, na ferramenta, no treinamento ou no perfil, e trocar sem diagnóstico coloca outra pessoa no mesmo buraco.

Diagnóstico de baixo rendimento na equipe
CausaSinalO que fazer
ProcessoO erro se repete com qualquer pessoa na cadeira, ou o trabalho chega incompleto do setor anteriorRevisar o procedimento e a passagem entre setores
FerramentaTempo perdido em retrabalho manual, sistema mal configurado, equipamento lentoDar o meio antes de cobrar o resultado
TreinamentoA pessoa erra sempre no mesmo tipo de tarefaTreinamento dirigido àquele ponto, com nova conferência
PerfilCom processo, ferramenta e treino em ordem, a entrega não vem, ou o comportamento não muda depois do feedbackRealocar para um setor que combine com o perfil ou encerrar o ciclo

Antes de concluir que é perfil, olhe a carga: quem acumula três setores rende mal nos três. Quando o diagnóstico é mesmo perfil, decida sem arrastar, com respeito e cumprindo a legislação. Manter alguém no cargo errado cobra do time inteiro.

Os erros mais comuns na gestão de pessoas do escritório

  • Contratar com pressa, quando a dor já é insuportável.
  • Treinar só de boca, sem procedimento escrito nem gravação.
  • Promover quem executa melhor sem testar se a pessoa sabe coordenar.
  • Tratar todo baixo rendimento como problema de pessoa, sem olhar processo, ferramenta e treino.

Como reter bons profissionais no escritório?

Reter bons profissionais no escritório de advocacia depende de três coisas: clareza sobre o que se espera e como crescer, autonomia proporcional ao nível da pessoa e reconhecimento do que ela entrega. Salário conta, mas raramente é o único motivo de saída.

Quando alguém bom sai, o escritório perde duas vezes: o sócio volta a fazer o que a pessoa fazia e paga de novo seleção, treino e curva de aprendizado.

1

Clareza

Cargo, tarefas, indicador e próximo degrau, por escrito.

2

Autonomia

A liberdade cresce com a maturidade. Conferir cada vírgula de quem já entrega sozinho empurra a pessoa para fora.

3

Reconhecimento

Específico e perto do fato, com evolução de remuneração ligada a marcos combinados.

O motivo silencioso de saída é a sobrecarga: profissional cansado aceita a primeira proposta que parece mais leve, e às vezes reter é contratar alguém para tirar tarefa simples da mesa dele. Pesquisa de clima anônima, uma vez por ano, revela o que ninguém fala. E a cultura trabalha nos dois sentidos: equipe organizada afasta quem não colabora, equipe desorganizada afasta os bons.

Como organizar a gestão da equipe no seu escritório?

A gestão de equipe jurídica é uma das fases do Método Escritório Sob Controle, de Diego Castro, especialista em controladoria jurídica, e entra depois que setores e cargos estão desenhados. Ela pode ser feita em quatro formatos:

1

MESC+

O programa de aceleração do Método Escritório Sob Controle: quatro meses, online, em turma, com encontros ao vivo e acompanhamento entre um encontro e outro. Quem executa é o seu time, com a ordem certa e alguém cobrando. O MESC+ é a mentoria em controladoria jurídica de Diego Castro.

2

MESC Inside

Eu e minha equipe entramos no seu escritório e instalamos a estrutura com você: controladoria, procedimentos da área principal e time treinado para tocar. O MESC Inside é a consultoria em controladoria jurídica de Diego Castro, conduzida de dentro do escritório.

3

Imersão presencial

Dois dias para desenhar a estrutura do escritório inteiro e voltar com o plano dos próximos 90 dias. Veja como funciona a Imersão Escritório Sob Controle.

4

HighMind

A comunidade de alunos, com encontros ao vivo e aulas de convidados. Vem junto no MESC+ e no MESC Inside, para o acompanhamento continuar depois da implantação.

Não sabe qual formato faz sentido? Me chame no WhatsApp e me diga três coisas: quantos processos ativos você tem, quantas pessoas estão no time e o que ainda depende só de você. Com isso eu indico o caminho.

Perguntas frequentes

Como fazer gestão de pessoas em um escritório de advocacia pequeno?

Com as mesmas peças, em escala menor. Mesmo com duas ou três pessoas, cada cargo precisa de tarefas definidas, procedimento escrito e um horário fixo de alinhamento. O que não muda é a ordem: primeiro o cargo, depois a pessoa.

Como remunerar a equipe além do salário?

Com bônus ligado a um indicador do setor, combinado antes, com data de corte e pago pelo que foi além do esperado. O trabalho bem feito do dia a dia já está no salário. Para quem não é advogado, a remuneração variável nunca deve ser percentual de honorários.

Eu treino a equipe e a pessoa vai embora. O que fazer?

Tire o conhecimento da cabeça das pessoas: procedimento escrito, treinamentos gravados e o dever de quem sobe de formar quem vem embaixo. E olhe a carga e a carreira: quem está sobrecarregado ou não enxerga o próximo degrau sai primeiro.

Quem escreveu este artigo?

Diego Castro, advogado há mais de 14 anos (OAB/PE 45.016), sócio-administrador da DCastro Advogados Trabalhistas, em Recife, Pernambuco, mentor de escritórios de advocacia e criador do Método Escritório Sob Controle, em que a gestão de pessoas entra depois da setorização e da delegação.

Diego Castro
Diego Castro
Advogado (OAB/PE 45.016) · Sócio-administrador na DCastro Advogados Trabalhistas

Formado em Ciência da Computação e em Direito, é advogado há mais de 14 anos e ex-desenvolvedor de software. Assumiu a controladoria, a gestão e a reestruturação completa do próprio escritório antes de virar sócio-administrador. Montou a estrutura que hoje administra mais de 3.500 processos simultâneos e, em 12 anos, essa mudança de operação gerou mais de R$ 30 milhões em honorários. É especialista em controladoria jurídica, produtividade e gestão eficiente de escritórios e criador do Método Escritório Sob Controle, com mais de 15 mil alunos em workshops, palestras e eventos e mais de 700 escritórios reestruturados.

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